O Brasil tem alguns prêmios Nobel para chamar de seus. E um desses eleitos será o palestrante da abertura do V Congresso Ambiental dos Tribunais de Contas, dias 23 a 25 de junho, em São Luís. O climatologista, pesquisador e professor Carlos Afonso Nobre estará na capital maranhense para conversar com os milhares de participantes do evento sobre o tema “Diagnósticos dos Riscos Climáticos e a Urgência da Proteção Ecossistêmica: cenário global e impactos no Brasil”.
Nascido em São Paulo em 27 de março de 1951, e com mais de quatro décadas de trabalho, ele construiu uma trajetória que se confunde com a própria consolidação da ciência do clima no Brasil e no mundo.
Filho mais velho de uma família que geraria outros cientistas destacados, entre eles Antônio Nobre, Paulo Nobre e Ismael Nobre, Carlos se formou em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 1974. Na sequência, mudou-se para Manaus para trabalhar no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), dando suporte técnico a experimentos de campo.
Ali, no coração da Amazônia, o jovem engenheiro entendeu que a floresta não era apenas um objeto de estudo, mas uma questão civilizatória. Incentivado pelo então diretor do INPA, o renomado geneticista Warwick Kerr, Nobre decidiu tornar-se cientista. Foi para os Estados Unidos e conseguiu seu doutorado em Meteorologia no prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT), em 1983.
De volta ao Brasil, iniciou uma carreira no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e liderou estudos pioneiros. Em 1988, como pesquisador visitante na Universidade de Maryland, postulou pela primeira vez um dos conceitos mais alarmantes da ciência ambiental contemporânea: o risco de a Amazônia passar por um processo de "savanização" em decorrência do aquecimento global e do desmatamento.
Reconhecimento internacional
Em 2007, Nobre alcançou um dos pontos altos de sua vida, como membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU). Naquele ano, a equipe de pesquisadores do IPCC dividiu o Prêmio Nobel da Paz com o ex-vice presidente americano, Al Gore, pelo papel que tiveram em alertar sobre os riscos do aquecimento global e por lutarem pela preservação ambiental.
O pesquisador ainda foi eleito membro da Royal Society britânica em 2022, tornando-se o segundo brasileiro a fazer parte da entidade dedicada à ciência, ao lado de Dom Pedro II. Ele também foi uma das principais vozes da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP30), realizada em novembro de 2025 em Belém (PA). Mais recentemente, em março de 2026, foi nomeado pelo Papa Leão XIV como membro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano.
Atualmente, Carlos Nobre ocupa o cargo de Professor Titular da Cátedra Clima e Sustentabilidade do Instituto de Estudos Avançados, da Universidade de São Paulo. E longe de se acomodar nos louros de sua carreira histórica, tem concentrado suas energias na construção de saídas viáveis para a crise ecológica, como o projeto Amazônia 4.0, que defende uma sociobioeconomia com a "floresta em pé", e o estudo Brasil Net-Zero, que desenha caminhos para o país zerar suas emissões de gases de efeito estufa até 2040.
Sobre sua participação no V CATC, Nobre nos deu um pequeno vislumbre do que poderemos ouvir em sua palestra, durante uma breve conversa via videoconferência.
"Nós vamos discutir toda a emergência climática que o planeta está vivendo, os riscos para o Brasil e eu vou trazer, em particular, a importância de proteger a Amazônia, proteger o Cerrado, proteger todos os biomas brasileiros", afirmou.
