Você sabe identificar situações de violência contra a mulher no ambiente de trabalho? Não é uma tarefa fácil, pois a violência nem sempre começa de forma explícita. É uma palavra que desqualifica, uma opinião que é ignorada, a desigualdade de tratamento que se repete. São Comportamentos que, de tão incorporados ao cotidiano, deixam de ser questionados.
E aí que surge uma reflexão necessária. Que comportamentos não podem ser mais naturalizados?
É com esse compromisso que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) realiza mais uma edição do “Agosto Lilás”. Neste ano o encontro propõe uma reflexão sobre o papel das instituições no enfrentamento da violência contra as mulheres. Um debate sobre misoginia institucional, violência cotidiana e sobre como construir ambientes funcionais mais seguros, respeitosos e igualitários.
Para conduzir essa reflexão, o TCE recebe duas mulheres que tem muito a contribuir nesse debate, por meio de duas palestras que dialogam entre si.
A primeira, intitulada “O Diagnóstico da Invisibilidade: a metamorfose da misoginia, o custo social e a defesa institucional do erário”, com a Procuradora da Advocacia-Geral da União no Estado do Maranhão, Marla Calvet, traz a discussão sobre a misoginia institucional, seus efeitos sociais e o custo que impõe à gestão pública, relacionando o tema diretamente à missão constitucional dos Tribunais de Contas de zelar pela boa e regular aplicação dos recursos públicos.
A segunda palestra, “Da violência cotidiana à institucional: como pequenas atitudes sustentam grandes violências”, com a Promotora de Justiça Érica Beckman, aborda a transição entre a violência cotidiana e a violência institucional, demonstrando como pequenas atitudes, naturalizadas no dia a dia, sustentam estruturas maiores de opressão.
Mais do que um momento de sensibilização, a iniciativa busca reforçar o compromisso institucional do TCE/MA com a construção de uma cultura organizacional de respeito, na qual a igualdade de gênero seja tratada como valor permanente e como elemento indissociável da boa governança pública.
Neste ano, o evento será realizado no Auditório do TCE, possibilitando a participação de todos os servidores e colaboradores da instituição. “Enfrentar a violência contra as mulheres é responsabilidade de todos nós, homens e mulheres assumindo juntos esse compromisso. Instituições mais justas são construídas por pessoas comprometidas com o respeito, a dignidade e a igualdade”, observa a corregedora do TCE, conselheira Flávia Gonzalez Leite.
Campanha de alcance nacional, instituída com o propósito de conscientizar a sociedade sobre as diversas formas de violência contra a mulher, bem como incentivar sua prevenção, combate e denúncia, o “Agosto Lilás” no TCE se realiza como ação do programa “Conta Comigo, Mulher!”, coordenado pela Corregedoria do órgão como estratégia de fortalecimento das políticas públicas municipais para as mulheres.
O Programa parte da compreensão de que o controle externo pode contribuir não apenas por meio da fiscalização, mas também pela orientação, pela produção de conhecimento e pela indução de boas práticas de gestão. Com esse foco, a Corregedoria amplia neste ano o olhar da campanha para o papel ativo que as instituições públicas desempenham nesse enfrentamento, evidenciando como o ambiente institucional pode tanto reproduzir quanto combater práticas de violência e desigualdade.
